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Ordenação Presbiteral



15/08/2020

              Com grande alegria, no último dia 15 de agosto, 13 novos presbíteros foram ordenados para a Arquidiocese de Brasília, sendo que sete deles receberam a formação em nosso Seminário: Daniel Campos, Danny Miguel, Jesús Enrique, Lucas Carvalho, Paulo Henrique, Pawel e Rafael Enrique. O momento das ordenações presbiterais sempre nos coloca frente ao mistério da eleição gratuita de Deus e o Seu amor para com os fiéis que esperam pastores segundo o coração do Pai. Pedimos que todos rezem pelos novos presbíteros de nossa Arquidiocese a fim de que sejam dóceis à vontade de Deus.

            A celebração foi presidida por Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida, Administrador Diocesano de Brasília. Em sua homilia, ele ressaltou o mistério da eleição de Deus, a livre resposta de cada candidato, a graça de Deus que nunca nos desampara, etc. A seguir, colocamos alguns trechos da homilia:

“Vede bem, queridos irmãos, estes homens que hoje se entregam à Mãe Igreja são homens pobres entre os pobres, homens comuns entre outros tantos irmãos... Mas o que os trouxe até aqui? Cada vocação nasce de um insondável desígnio da Misericórdia do Pai. O Amor de Deus está na raiz da vocação daqueles que Ele engendra e conhece, consagra e separa para Si. Sim, irmãos, toda a vocação! Mas é a vocação ao sacerdócio ministerial que manifesta de modo muito singular o segredo do coração misericordioso de Deus que continua a atender ao seu povo...

Hoje também o Senhor continua a enviar sobre a terra fome e sede, não só de pão, não só de água, mas de ouvir a Sua Santa Palavra. Vagueiam de um canto a outro procurando quem os apascente com a Palavra que é luz para o caminho e com o Pão dá a vida (Am 8,11-12). Hoje também Deus continua escolher e enviar servos, amigos Seus para saciar o povo sedento e faminto. Ele conhece a nossa pobreza e nos consagra para manifestar a Sua glória, tornando-nos aptos para o serviço do Seu Reino mediante a efusão do Espírito Santo...

O que seria do ministério sagrado sem a intimidade com o Senhor, sem a amizade do Senhor, sem a nossa entrega? Ao acolher com misericórdia o arrependimento de Pedro, o Senhor lhe pergunta: “Pedro, és meu amigo?” À humilde resposta de Pedro arrependido o Senhor acresce: “Apascenta as minhas ovelhas”. É precisamente da intimidade divina, que vem a máxima autoridade do sacerdote para partilhar com o povo santo de Deus os tesouros da Palavra, as riquezas inefáveis do Mistério Pascal e a fúlgida beleza dos laços da comunhão...

Tomado de entre os homens, o sacerdote é constituído em favor dos homens, nas coisas que se referem a Deus” (Hb 5,1). Não se trata de um projeto de realização pessoal, mas de uma vocação a servir a um projeto desenhado pelo próprio Deus. O padre só se realiza, só é feliz, quando deixa de buscar sua realização pessoal e, negando-se a si mesmo, toma a cruz de Cristo e O segue. Mas é precisamente na sua união com o projeto de Deus realizado na Cruz salvadora que o padre encontra a fonte da sua felicidade. Por isso o seu compromisso não é e não pode ser transitório. No Reino de Deus, as decisões tomadas na nossa fragilidade adquirem sabor de eternidade. A felicidade do padre não é mera realização humana, mas bem-aventurança...

É de tal modo sublime o sacerdócio ministerial que “Ninguém deve atribuir-se esta honra, senão o que foi chamado por Deus” (Hb 5,4). Configurado ao Senhor, o sacerdote age in persona Christi capitis, atua na pessoa de Cristo Cabeça da Igreja. Por ele, Cristo congrega na unidade. Por ele Cristo prega e ora. Por ele, Cristo santifica através dos sacramentos. É pela bondade de Deus que em cada momento decisivo da nossa vida há de estar presente um sacerdote...

O dever de gratidão pelo dom do sacerdócio se impõe a todo cristão, sobretudo para com Jesus, mas depois, também para com os que desempenham retamente esta missão sublime. Tal gratidão deve manifestar-se no reverente respeito, na filial docilidade para com os ministros de Deus, mas também na oração e no trabalho assíduo em favor das vocações e da santificação dos sacerdotes. Assim nos ensinou o próprio Jesus: “Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe” (Mt 9,38)...

Permiti-me, irmãos caríssimos, dirigir em tom paterno e direto algumas palavras aos futuros padres... Filho querido, hoje o Senhor, te acolhe no círculo daqueles que receberam a sua palavra no Cenáculo; acolhe no círculo daqueles que Ele conhece de um modo todo especial e que por isso chegam a conhecê-Lo de modo particular. Hoje o Senhor te concede aquela faculdade que quase amedronta, de fazer aquilo que só Ele, o Filho de Deus, pode legitimamente dizer e fazer: Eu te perdoo os teus pecados. Ele quer que tu – por Seu mandato – possas pronunciar com o seu “Eu” uma palavra que não é meramente palavra, mas ação que produz uma mudança no mais íntimo do ser. Tu sabes bem que, por detrás de tais palavras, está a Sua Paixão por nossa causa e em nosso favor. Sabes bem que o perdão que ainda hoje poderás conceder tem o seu preço. Fomos resgatados a caro preço: o Seu sangue, a Sua Paixão. Por ela, nosso Senhor desceu até ao fundo tenebroso e sórdido do nosso pecado. Ele por nós se fez pecado, desceu até à noite escura da nossa culpa. E somente por isso essa noite pode ser transformada em luz meridiana. Através do mandato de perdoar, Ele te permite lançar um olhar ao abismo do homem e à grandeza do Seu padecer por nós, grandeza esta que nos consente intuir a imensidão do Seu amor. Por isso não te canses de ser generoso no perdão oferecido, não te canses de dedicar tempo ao ministério da misericórdia.

O Senhor, aqui e agora, te confidencia o Seu desígnio de amor: “Já não és servo, mas amigo”. Neste Cenáculo, Ele te confia as palavras da Consagração na Eucaristia, o mandato de oferecer por Ele, com Ele e nEle o mesmo sacrifício do Calvário. Efetivamente, hoje a Igreja te configura a Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, ou seja, te consagra pelas minhas mãos como verdadeiro sacerdote do Novo Testamento. Com este título, que no sacerdócio te faz cooperador da ordem episcopal, serás pregador intrépido do Evangelho, Pastor do Povo de Deus; presidirás aos atos de culto, de maneira especial na celebração do sacrifício do Senhor...

Consciente de teres sido escolhido entre os homens e constituído a seu favor para atender as coisas de Deus, cumpre com alegria e caridade sincera a obra sacerdotal de Cristo, com a única intenção de agradar a Deus, e não a ti mesmo.

            Procura ter sempre diante dos olhos o exemplo do bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir; não para permanecer nas tuas comodidades, mas para sair, procurar e salvar o que estava perdido.

            Entrega-te, filho caríssimo, ao teu Senhor, sê bom samaritano dos pobres e sê irmão dos demais presbíteros, que te acolhem hoje no presbitério da Igreja Brasiliense.

*  *  *

            Permiti-me concluir com palavras dirigidas em 2008 por Bento XVI a alguns sacerdotes que estava para ordenar: “Caros Ordinandos, no futuro deveis voltar sempre a este momento, a este gesto que nada contém de mágico e, no entanto, é tão rico de mistério, porque aqui se encontra a origem da vossa nova missão. Nessa oração silenciosa tem lugar o encontro entre duas liberdades: a liberdade de Deus, que age através do Espírito Santo, e a liberdade do homem. A imposição das mãos exprime concretamente a modalidade específica deste encontro: a Igreja, personalizada pelo Bispo em pé com as mãos estendidas, pede ao Espírito Santo que consagre o candidato; de joelhos, o diácono recebe a imposição das mãos e confia-se a esta mediação. O conjunto de gestos é importante, mas infinitamente mais importante é o movimento espiritual, invisível, que ele exprime; movimento bem evocado pelo santo silêncio, que abarca tudo dentro e fora”.

            Neste movimento espiritual, vos acompanha a Virgem Maria, como acompanhou os primeiros passos do Menino Jesus, venerado aqui neste Santuário.

            A ele, o vivente, seja o louvor, a honra e toda a glória, hoje e pelos séculos eternos. Amém! Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

 

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