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PÁSCOA DO CARDEAL JOSÉ FREIRE FALCÃO



27/09/2021

PÁSCOA DO CARDEAL JOSÉ FREIRE FALCÃO

Na noite do dia 26 de setembro de 2021, o Senhor chamou para o Seu Reino o nosso querido
Cardeal José Freire Falcão.
Grande pastor da Igreja e homem de extrema sabedoria e intimidade com Cristo, Dom
Falcão foi Arcebispo de Brasília de 1984 a 2004, foram 20 anos de muitos frutos. No ano de 1990,
ele erigiu, nesta Arquidiocese, nosso Seminário Missionário Arquidiocesano Redemptoris Mater e
sempre esteve muito próximo a nós. Dom Falcão, em sua simplicidade, sempre nos relatava suas
experiências no Seminário da Prainha (Fortaleza), onde soube aproveitar a sólida formação dada
pelos padres lazaristas e logo aprendeu vários idiomas para poder ler os livros que chegavam desde
a Europa, sobretudo a literatura francesa que em sua época de formação teve grande relevância.
O lema episcopal de Dom Falcão “In humilitate servire” (Servir em humildade) foi
escolhido como sinal de uma verdade interior, pois ele foi um homem que sempre esteve a serviço
de todos em humildade e experimentou que o humilde acolhe com alegria a história que Deus faz. A
humildade no serviço, traduziu-se no amor para com suas ovelhas.
Dom Falcão foi marcado pelo mistério da cruz desde o início de seu ministério presbiteral.
Sua ordenação foi antecipada pelo estado avançado de câncer de sua mãe. A primeira missa
presidida por ele foi ao lado do leito de dor de sua mãe. Essa experiência o ajudou a buscar estar
sempre próximo àqueles que estavam marcados pelo mistério da dor e do sofrimento.
No ano de 1994, como sinal de amor para com o nosso Seminário, aproveitando a visita do
então Prefeito da Congregação para a Educação Católica, Cardeal Pio Laghi, Dom Falcão,
imediatamente, convidou-o para fazer a inauguração oficial do edifício do Seminário. Naquele
tempo, os Seminários dependiam diretamente da Congregação para a Educação Católica. Dom
Falcão, em inúmeros outros momentos, presidiu celebrações em nossa Casa de Formação e muitas
vezes, nos recebeu em sua casa com total amabilidade, sempre ajudado pela Ir. Maria do Carmo, a
quem somos agradecidos pelo cuidado e carinho que sempre teve para com ele.
Após deixar o pastoreio da Arquidiocese, Dom Falcão presenteou-nos inúmeras vezes com a
sua visita e, todos os anos, presidia conosco a celebração da Paixão do Senhor na Sexta-feira Santa.
Abaixo, colocaremos uma das homilias proferidas por ele em nosso Seminário. Na época, foi feito o
pedido para publicarmos em nosso site e ele prontamente autorizou.
Durante os anos como Arcebispo de Brasília, Dom Falcão promoveu de modo exemplar,
com um coração sacerdotal, a pastoral vocacional e viu a importância de dar a Brasília, nossa
Capital, um forte impulso missionário, por isso a busca por um Seminário Arquidiocesano
Missionário. Dom Falcão ordenou aproximadamente 50 presbíteros missionários para a nossa
Arquidiocese. Enviou em missão por volta de 35 e sempre dizia que os pedidos de outras dioceses
do Brasil e do exterior não paravam de chegar.
Certamente a afirmação do profeta “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração” (Jr 3, 15)
se concretizou para nós na pessoa, no exemplo, na missão e na vida de nosso querido Cardeal Dom
José Freire Falcão.
Nos unimos em oração para que o bom Deus o acolha no Seu Reino e lhe conceda a
recompensa dos justos!

Homilia do Cardeal José Freire Falcão

Seminário Missionário Arquidiocesano Redemptoris Mater de Brasília

Sexta-Feira Santa - 30 de março de 2018

Sexta-feira santa é uma mensagem de vida, de salvação e de esperança.
Mensagem vida numa celebração de sofrimento e de morte?
Sim. Porque esta morte não é só a morte de um homem. É a morte do Filho de
Deus feito homem. Por isso, é fonte de vida. Vida que perdura. Eterna vida. Vida que é
dom, graça e amor. Vida que é luz dos homens. Vida que alimenta a verdadeira vida.
Porque, quem vem a Ele não terá mais fome. E quem crê nele não terá mais sede.
Porque a água que Ele nos dá é em nós fonte de água corrente até a vida eterna.
Vida que é filiação com Deus. Como diz São João: "Aqueles que o acolheram,
os que creem em seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus"(Jo 1,12).
Vida que é nascimento novo. Vida que empresta sentido e dimensão eterna à pobre vida
humana.
Vida que se realiza no gesto supremo de doação na Cruz.
Que a comemoração anual deste trágico acontecimento da história humana - a
morte de Cristo na Cruz - alimente nossos pensamentos e sentimentos. E, em nenhum
outro busquemos inspiração para nossas vidas a não ser nEle, que é "caminho, verdade e
vida" (Jo 14,6). O viver seja para nós viver em Cristo e de Cristo. A recordação desta
morte nos faça nascer de novo, tornando-nos filhos de Deus. Pois, quanto mais os
cristãos trazem em seu corpo os sofrimentos da morte de Cristo, mais se manifesta
neles, em seu corpo, sua vida.
Sua morte é mensagem de salvação. Como diz São Paulo a Tito: “Ele se
entregou por nós para nos resgatar de toda a iniquidade e purificar para si um povo
exclusivamente seu" (Tt 2,14). E como diz a Carta aos Hebreus: Por sua morte "se
tornou causa de salvação eterna para os que lhe obedecem" (Hb 5,9).
Salvação de todo o pecado. Do pecado individual e do pecado social. Do
egoísmo, do desamor, e também, de todos os desrespeitos aos direitos e à dignidade da
pessoa humana, da miséria e da opressão.
Na Cruz Jesus é Pai e irmão que nos salva e perdoa. "Poder de Deus para
salvação de todo aquele que crê" (Rm 1, 16), como fala o Apóstolo. Para aqueles que
professam a fé em Jesus Cristo, Filho de Deus e nosso Redentor. E também para aqueles
que não crendo n’Ele, nem em seu Pai, não põem obstáculo à sua graça, luz para as
consciências e salvação para a criatura humana.

No Cristo Jesus, desta Sexta-feira santa, se manifesta a bondade e a benignidade
de Deus para conosco, seu amor para com as pessoas humanas pecadoras. N’Ele tudo é
dom. Tudo é graça. Tudo é vontade de salvação e redenção. Tudo é misericórdia. Diante
d’Ele só há uma atitude digna do homem - dobrar os joelhos na confissão da culpa e na
súplica do perdão, na alegria e no agradecimento.
Sim. Ele a salvação presente na História, em cada ser humano, operando por
toda a parte, no coração e nas realizações do ser humano.
Mas, salvação pela cruz. Foi por Sua morte na cruz que a salvação veio à terra.
Por isso, seus discípulos se alegram neste dia de morte, dia de vida e salvação.
Porque fomos remidos pelo sofrimento. Salvos pela dor. Deificados pela Cruz.
No entanto, o homem velho que está sempre dentro de nós geme e se insurge
contra esta dura verdade: a cruz ser condição de resgate e de salvação. E gostaríamos até
de afastar de nossas vidas até mesmo as sombras de uma tristeza fugaz.
Não seria a missão da ciência banir da terra a dor? Não seria tarefa da tecnologia
criar bem-estar e felicidade para todo homem?
Para o cristão, contudo, não há salvação sem dor, sem martírio, sem morte. "Se o
grão de trigo atirado à terra não morrer, não germinará, permanecerá só; mas se morrer
produzirá muito fruto" (Jo 12, 34), diz Jesus.
E quem quiser segui-lo, deve renunciar-se a si próprio, tomar sua cruz cada dia.
"Pois aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas o que perder a sua vida por
causa de mim, vai encontrá-la, diz Jesus.” (Mt 16, 25).
O discípulo não pode ser diferente do Mestre. Paulo e Barnabé confortam os
cristãos de Listra, lcônio e Antioquia a perseverarem na fé, malgrado as tribulações.
Pois, sem elas não entrarão no Reino de Deus. Enquanto não despertar a manhã da
eterna primavera - a Páscoa celestial - teremos que sorver, gota a gota, o cálice do
sofrimento e da dor.
Para o cristão o sofrimento é condição necessária de resgate e de salvação.
Mas, a Cruz será sempre “escândalo para os judeus e loucura para os pagãos”
(ICor 1,23), como escreve o Apóstolo. Porque a Cruz nos retira deste mundo. Até
mesmo, rompe com o mundo, para nos arrastar às profundezas do amor de Deus.
Contudo, para os discípulos do Senhor a Cruz não é só sofrimento e humilhação. É luz e
glorificação. Por ela, diz São João, o Filho do Homem foi “elevado”. É “lenho da vida”.
A cruz não é fraqueza e ignorância. Mas sabedoria e força de Deus. E o
sofrimento para o cristão não é amargura, mas doçura. Não é tristeza, mas alegria.
É também comunhão. Quem carrega a sua cruz, carrega a cruz de seus irmãos.

Pois, há uma comunhão na dor. Quando aceitamos nossos sofrimentos, nos tornamos
patena de oferenda dos sofrimentos dos outros.
Por fim, a cruz é mensagem de esperança. Porque em Cristo toda carne viu a
salvação. Diz o Apóstolo que "a criação inteira geme até agora, suspirando com dores
de parto" (Rm 8,22) e, nós mesmos, “possuidores das primícias do Espírito, gememos
em nosso interior esperando a filiação adotiva, a redenção de nosso corpo” (Rm 8,27).
Sabemos, contudo, que já fomos salvos na esperança. “O que não vemos é com
perseverança que o aguardamos”.
Porque se deu na Cruz por nós, Jesus se fez nossa esperança.
Esperança dos pobres dos bens deste mundo, mas de coração disponível para
acolher a Feliz Notícia, que Ele nos trouxe.
Esperança dos humildes, de coração aberto para receber sua mensagem, sem
discutir.
Esperança dos que se despojam de sua presunção, de sua segurança, de sua
sabedoria, de sua vaidade, e O abraçam na Fé. E enxergam n’Ele o Filho de nosso Deus,
que nos vem salvar.
Esperança dos que não depositam sua fé e sua confiança em seu poder, em seus
bens, em sua capacidade, mas no Filho de Deus que se faz homem para ser nosso
Salvador.
Esperança dos pecadores, que sentem necessidade de perdão e de redenção.
Esperança dos que têm sede de justiça e de verdade.
Esperança dos que não veem claro, dos que erram pelas veredas deste mundo.
Esperança dos que choram e sofrem, dos perseguidos e famintos, dos
misericordiosos e dos corações puros, dos mansos e pacíficos.
Mas, como esperar se não vemos claro? Se o mal está perto de nós, dentro de
nós? Se há razões mais fortes para desesperar? Se a luz não se faz em nossa mente e em
nosso coração? Como esperar neste mundo em que as pessoas humanas não se
reconhecem e não vivem como irmãos, se despreza a dignidade de cada ser humano,
criado “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26 )?
Nosso Deus é o “Deus da esperança”. Ele se deu na cruz para fundar e alimentar
nossa esperança.
Que o memorial da Paixão e Morte de Jesus reacenda a nossa esperança.
Assim seja!

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